sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Por que não "Eu"??

No post anterior, apresentei o seguinte comentário:
Sabemos que nos textos dissertativos, a primeira pessoa do singular NUNCA deve ser utilizada. Faz parte da estrutura desse gênero textual o uso de linguagem impessoal.
Sobre isso, muitos alunos me questionam, dizendo que é incoerente não poder usar o “Eu” em um texto em que a opinião é, de fato, da pessoa que está escrevendo.

A minha resposta é simples. Devemos ter clareza ao distinguir o plano da forma do plano do conteúdo.
Vamos ver alguns exemplos.

Observe as duas frases a seguir:
1.Eu acho a vida maravilhosa.
2.A vida é maravilhosa.

Em qual das duas frases o autor apresentou a sua opinião sobre a vida?
Ora! Nas duas!!

Dizer que alguma coisa é maravilhosa é ser bastante pessoal. Outras pessoas podem dizer “Não... eu acho a vida horrível, triste, chata”.
Isso quer dizer que opinião houve nas frases 1 e 2, ou seja, no plano do conteúdo, as informações são iguais. O que muda de uma frase para a outra está relacionado ao plano da forma: a frase 1 foi escrita em linguagem pessoal e a frase 2 em linguagem impessoal.
Na dissertação, o autor emite a sua opinião, no entanto usa a linguagem impessoal para fazer isso, obedecendo à exigência do gênero textual.

E a primeira pessoa do plural?
As bancas são mais flexíveis quanto ao uso da primeira pessoa do plural, no entanto, minha recomendação é bastante cautela ao utilizar o “Nós”. Use-o sem exageros.

:)