terça-feira, 21 de julho de 2015

Redação pronta - A importância do lazer para a vida profissional


Oi, gente! Tudo bem?!

Fiz uma redação sobre o tema “A importância do lazer para a vida profissional”, citado na última postagem, em que falei sobre redações para processos seletivos.  Exponho aqui o texto e aproveito para fazer algumas observações sobre o processo de produção.

Sobre a Introdução
Uma das maiores dificuldades das pessoas na produção textual é a primeira linha. Certa vez um aluno me pediu para dizer a ele uma frase inicial para o seu texto, pois ele já tinha feito o roteiro, já sabia o que ia defender, já sabia a sua tese, mas não conseguir escrever a primeira linha. Eu não o ajudei com uma frase pronta, mas avisei que iríamos estudar, mais a frente, algumas técnicas para iniciar a introdução.  A propósito, há técnicas bem legais para começar o texto. Pesquisem sobre isso!!

Na redação que exponho a seguir, eu usei como técnica a Conceituação, que consiste em apresentar um termo e defini-lo. Essa definição é apenas um ponto de partida para que eu consiga desenvolver a minha linha de raciocínio. Não é sempre que consigo usar essa técnica, mas vale tentar, pois é bem raro ver alguém começando o texto dessa forma. E iniciar de forma diferente é ótimo para que sua redação se diferencie das demais.

Falei sobre outra técnica para começar a introdução em um vídeo que postei aqui no blog. Na verdade, eu não gosto de mim nesse vídeo, mas o conteúdo é bom. Para acessá-lo, vá à aba “Vídeos”, na parte superior da página.

Sobre o tema
A interpretação do tema é o ponto mais importante da produção de texto. Em provas de concursos, grande parte dos candidatos perde ponto por fuga parcial, que significa que apenas um dos aspectos da proposta foi desenvolvido. No tema “A importância do lazer para a vida profissional”, se você falar apenas sobre o trabalho, ou apenas sobre o lazer, ou falar sobre ambos sem abordar a importância do lazer para o trabalho, você estará fugindo parcialmente do tema. Para esse tema, é necessário relacionar trabalho e lazer de forma que se explicite a importância deste para aquele.  

Dessa forma, a minha ideia central ao refletir sobre o tema foi: o lazer é importante para a saúde e, com saúde (mental e física), se é mais produtivo no trabalho. Eu cheguei a essa tese após fazer um roteiro. Não deixem nunca de fazer um roteiro!!

Falei sobre roteiro AQUI.

Para a postagem não ficar muito grande, fico apenas nesses dois pontos de observação. Se quiserem que eu comente sobre outros aspectos do texto, deixem comentários que eu respondo.

Agora um convite: se você está buscando se aperfeiçoar na produção textual argumentativa, escreva uma redação para o tema e poste-a nos comentários. Farei uma breve correção dos primeiros textos postados. Depois, deixo com vocês. Ajudem-se!

Segue a redação.

Equilíbrio como profilaxia
Workaholic é um termo em inglês utilizado para definir o indivíduo que trabalha demasiadamente. Trata-se de uma característica que já foi muito valorizada no ambiente profissional, mas que é hoje considerada uma espécie de patologia. Amar o trabalho e se dedicar a ele não é um problema, desde que outros setores da vida também estejam sendo valorizados. Aliar o lazer à vida profissional é indispensável para a saúde física, mental e também para um melhor desempenho nas próprias atividades laborais.

A presença da tecnologia nas instituições tem sido indispensável para agilizar processos, o que deveria ter como consequência mais tempo livre aos profissionais, no entanto, o que se percebe, ao contrário, é que as pessoas têm trabalhado mais justamente pela facilidade que a tecnologia proporciona. Com a internet cada vez mais potente, pode-se, por exemplo, responder a e-mails durante um engarrafamento, alimentar planilhas online durante o final de semana, participar de reuniões nas férias etc. Essa facilidade de trabalhar de qualquer lugar pode ser analisado como uma possível causa de as pessoas se esquecerem de outras áreas de suas vidas. Quando o trabalho se torna a principal razão de se viver, o indivíduo tende a se tornar cronicamente estressado e a ter dificuldade para trabalhar em grupo. As revistas Exame e Galileu já abordaram essa temática em algumas de suas matérias e são vários os especialistas da área de saúde citados confirmando os efeitos nocivos do excesso de trabalho para a saúde.

Muitas empresas já perceberam que um profissional que cuida da sua vida pessoal pode ser mais produtivo, por isso, investem no lazer dos seus colaboradores. Algumas instituições, por exemplo, premiam seus funcionários com viagens, oferecem espaços de relaxamento em suas dependências dentre outras ações nesse âmbito. Essa preocupação com o bem-estar do trabalhador é uma comprovação de que algumas companhias já identificaram que o valor investido nessas ações retornará à empresa em forma de produtividade.  Não são todas as empresas que atuam por meio dessa concepção, por isso, é responsabilidade do profissional estar atento para o equilíbrio em sua vida.

Percebe-se, dessa forma, que o lazer tem importância significativa para saúde e para a produtividade, inclusive em termos profissionais. Não se pode negar que o trabalho é uma área que ocupa parte relevante da vida, mas se outros setores forem descuidados, não se consegue bem-estar – nem no trabalho nem fora dele. Em tempos tão acelerados, a busca por equilíbrio é a mais eficiente profilaxia.

Gostou? Não gostou?
Vou gostar de saber se essa postagem o ajudou.

Um abraço.

Lygia

sábado, 18 de julho de 2015

Como e o que escrever em uma redação para processos seletivos?


Como sabemos, na maioria dos processos seletivos, uma das etapas de avaliação é a produção textual. Nada mais justo, uma vez que é por meio da escrita que os avaliadores conseguirão identificar se o candidato ao cargo conhece as normais gramaticais, domina a ortografia e consegue se expressar de forma clara.

Há empresas que fazem até ditados para saber como é a escrita dos candidatos. Eu não acho isso muito válido não, pois esse tipo de teste só demonstra o conhecimento da pessoa em ortografia, e dominar a ortografia não tem nada a ver com escrever bem.

Já participei como avaliadora de redações em alguns processos seletivos de grandes empresas e nunca achei a ortografia o principal problema. Os candidatos reprovados, em geral, são aqueles que não produzem textos fluidos. Sabe aquele texto que a gente tem que ler mais de uma vez para compreender? Então... Esses sim são textos ruins.

As redações de processos seletivos, na maior parte das vezes, têm as seguintes abordagens:

1.Produção de apresentação – o famoso tema “Quem sou eu?”.

Muitos alunos que estão estudando para concursos e vestibulares têm dúvidas sobre a pessoalidade nesse tipo de produção. As pessoas aprendem que as dissertações devem ser escritas em terceira pessoa e acham que devem fazer o mesmo ao falar de si. Não! Se você precisa se apresentar, falar da sua experiência, dos seus planos, deve usar o EU, sem problema nenhum.
Em redações desse tipo, você pode falar sobre a sua experiência profissional, sobre o motivo de você querer trabalhar na empresa, explicar de que forma você acha que contribuiria com a instituição etc. Questões pessoais também podem ser expostas, desde que não seja o foco da produção. Coloco, ao final, um exemplo de uma redação desse tipo.

2. Produção dissertativa-argumentativa sobre temas gerais.

Considerando a minha experiência nos processos de seleção, percebo que as empresas gostam de propor temas que relacionem trabalho e vida pessoal. Por exemplo: “Produza uma dissertação em que você explicite a importância do lazer para a vida profissional”. Ou “Fazer o que gosta ou gostar do que faz? O que é mais importante?” e por aí vai.

Para esse tipo de tema, deve-se seguir a estrutura que já conhecemos, com 
Introdução, Desenvolvimento, Conclusão, apresentação da tese e argumentos.

Apresento, a seguir, uma redação baseada na abordagem 1 – Redação “Quem sou eu”. Todos os dados são inventados e servem apenas para que vocês tenham uma ideia de como construir o texto.

Ao ler a redação, vocês vão perceber que eu selecionei três tipos de informações: formação, experiência e interesse pela vaga. Fiquem atentos à estrutura do texto. Na Introdução, após breve apresentação, eu falei sobre esses três aspectos de maneira generalizada. No segundo parágrafo eu abordei a formação de maneira mais detalhada, no terceiro, falei sobre a minha experiência e, no último, expliquei por que sou uma boa candidata ao cargo oferecido pela empresa.

Vejam, então, que, apesar de não se tratar de uma redação voltada para concursos públicos ou vestibulares, a organização do texto foi bem parecida com o que fazemos nesses exames.

Considero essa organização muito importante, pois o avaliador, além de entender quem é você profissionalmente, verá que você consegue construir um texto de apresentação de maneira fluida e estruturada. Um candidato à vaga que seja até bem mais qualificado do que você pode, facilmente, não conseguir a vaga se construir uma redação difícil de entender. Já vi isso acontecendo algumas vezes.

Vamos ao texto! Espero que ajude...

Chamo-me Martha de Araújo Santana, tenho 30 anos e atuo na área de Administração há cinco anos.  Tanto a minha formação quanto as instituições e as pessoas com as quais pude trabalhar até o momento tiveram importância significativa para que eu me tornasse a profissional que sou hoje, com bom conhecimento teórico e bastante vivência administrativa. Atuar no setor de treinamento da empresa JWI Brasil constitui um passo importante em minha carreira, pois, além do aprendizado inerente à função, poderei oferecer ao time a minha experiência e contribuir com o sucesso do grupo.

Sou graduada em Administração de empresas pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, tendo concluído o curso em 2000. Neste mesmo ano, iniciei o MBA em Gestão de Projetos na Fundação Getúlio Vargas. Cursar o MBA no mesmo momento em que iniciava minha atuação na área foi importante, pois pude desenvolver toda a teoria que estava estudando de forma prática na instituição da qual fazia parte. Desde o período da graduação, também tive a oportunidade de fazer alguns cursos importantes para o meu desenvolvimento profissional na área administrativa, como Inglês para negócios, gestão de pessoas entre outros.

Trabalhei por dois anos no setor de Recursos Humanos de uma empresa de turismo que, apesar de ser de pequeno porte, me possibilitou o primeiro contato com a área de treinamento. Fiquei responsável por desenvolver, junto à equipe já existente, um curso de reciclagem para os antigos colaboradores. Atuar com profissionais tão competentes me fez aprender muito e despertou ainda mais meu interesse pela área. Em seguida, passei por mais duas organizações, onde pude trabalhar tanto com gestão de pessoas quanto na área de treinamento e desenvolvimento, em alguns dos projetos dessas empresas.

A oportunidade de atuar na empresa JWI Brasil vai ao encontro do que vivi até hoje, uma vez que, tendo um setor de treinamento bem estruturado, poderei executar as atividades inerentes à função de maneira consistente. Considero o meu perfil adequado à empresa e à função, pois gosto de trabalhar com pessoas e possuo vivência diversificada em treinamentos. Unir o meu conhecimento na área administrativa à experiência que tenho com Treinamento e Desenvolvimento é o que busco para a minha vida profissional.

E aí? Gostaram da redação “Quem sou eu”? Se já fizeram alguma desse tipo, escrevam aqui nos comentários quais foram as suas dificuldades.

Um abraço.

Lygia 

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O título é obrigatório na redação? Como criar um bom título?


Oi, pessoal!
Muita gente tem dúvidas sobre a inserção do título na redação, então, resolvi escrever a respeito.

Primeiro ponto importante: o título não é obrigatório na produção textual de concursos e vestibulares, a menos que haja orientação explícita para que você insira um. Já vi muita gente preocupada ao sair de uma prova por ter esquecido de nomear o texto. Isso já aconteceu comigo também, e em um concurso para professor, há alguns anos. Lembro-me de que fiz um bom texto, mas me esqueci de passar o título que estava no rascunho para a folha de redação.  Na época, achei que os avaliadores iriam zerar a minha prova, mas, ao contrário, recebi nota 9,5 e assumi o cargo. 

Em geral, mesmo quando há na prova orientação para inserção do título, a ausência dele não costuma ser motivo para desconto considerável na nota, ainda assim, como sabemos que até 1 décimo pode decidir quem fica com uma vaga, é importante estar atento.

Na realidade, eu considero o título muito importante na produção textual. Não o título burocrático, que é aquele que a pessoa só coloca por ser obrigatório e que nada acrescenta à mensagem. Esse não faz diferença nenhuma. Refiro-me ao bom título. Esse sim pode ser o “tchan” da redação.

Mas o que é, na prática, um bom título?
Você já reparou que os nomes de filmes ou de livros não entregam o que exatamente é a história? Eles despertam nossa atenção, apresentam uma noção sobre o que há no enredo, mas são enigmáticos. Somente assistindo ao filme ou lendo o livro vamos compreendendo o porquê do nome. Assim é um bom título também na produção textual. Quando corrijo redações, gosto de ver um título diferente e ir compreendendo o seu significado conforme vou lendo a produção. Já postei aqui no blog uma redação com título que ilustra bem o que digo. Nesse texto, o leitor só compreende o nome da redação nas últimas linhas da conclusão. Essa técnica é muito legal. Veja aqui esse texto.

E o que é um título ruim?
Há muito a se falar sobre títulos ruins. Vou citar aqueles que vejo com mais frequência.

1. Tema como título – Isso é o que mais acontece, sem sombra de dúvidas. Muitas pessoas confundem tema com o título. Tema é o que a prova oferece, título é o que você faz.

2. Título com “Versus” (X) – Razão x emoção. Vitórias X derrotas.  Trabalho x lazer.
Esse tipo de título não o diferenciará dos demais candidatos. Trata-se de uma forma rápida e pouco criativa de nomear o texto. Evite esse formato.

3. Clichês – títulos com frases prontas e batidas. “Educação – direito de todos”. “Brasileiro não desiste nunca”. “Família é base”.

Eu poderia escrever bastante sobre título, mas acho que o que expus até aqui já pode ajudar bastante. Penso em fazer um vídeo mais detalhado sobre o assunto. O que acham?

Para finalizar essa postagem, apenas ressalto que o título fará diferença em um grupo de redações boas. De nada adianta produzir um bom título se o texto é problemático. Se você ainda não produz redações bem estruturadas, não foque no título agora. Trabalhe para melhorar a produção textual. O título será apenas a cereja do bolo (clichê!!).


Um grande abraço e bons estudos!
Lygia

Redação pronta – As legalidades e ilegalidades na era digital para os policiais militares


Olá, pessoal!

Tendo em vista o concurso para a PMMG, que ocorrerá no próximo mês, apresento nesta postagem uma redação sobre um tema similar ao cobrado na prova para o curso de formação de oficiais de 2015.

Mas por que “similar”, Lygia?

O tema cobrado foi “As legalidades e ilegalidades da era digital para os policiais militares”, mas a redação que produzi foi para o tema “As legalidades e ilegalidades na era digital para os policiais militares”.

Não. As duas propostas não são iguais. A troca da preposição DE para a preposição EM faz toda a diferença para a produção do texto.

Eu não poderia escrever sobre as legalidades e ilegalidades DA era digital se eu não as conheço, compreendem?! Vocês, que estão estudando Direito para fazer a prova, devem saber falar bem sobre o assunto. Eu não tenho ideia do que se trata. Por isso, tive que adaptar a proposta.

De qualquer maneira, acredito que a redação que exponho a seguir poderá ajudá-los neste momento de estudos, fazendo-os analisar como foi produzida a Introdução, como os parágrafos de Desenvolvimento se relacionam com esse primeiro parágrafo e com o último, e dando-lhes ideias acerca de assuntos que podem estar na prova que farão em breve.

Se você tiver feito essa prova, escreva nos comentários, contando-nos como se saiu, sobre o que escreveu etc. Se você não fez redação para esse tema ainda, tente escrever uma e compartilhe conosco!

O espaço para comentários pode ser um local de interessante para ajuda mútua. Sintam-se à vontade.

Na próxima postagem, farei alguns comentários sobre as orientações da Banca sobre a redação.

Um grande abraço e bons estudos!

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     Se, para o cidadão comum, a vida em tempos de internet tem proporcionado certa liberdade, por viabilizar voz a todos os indivíduos, para alguns profissionais, como os policiais militares, a cautela neste cenário é essencial.  Com a rapidez com que se disseminam – e se ampliam – as informações na chamada Era Digital, o policial precisa pensar sobre a legalidade de seus atos na Web e ter bastante atenção ao seu comportamento em qualquer situação de sua vida, já que o dano a sua imagem pode tomar grandes proporções por meio da internet, implicando prejuízos também à imagem da corporação.

  O primeiro aspecto a ser considerado refere-se ao comportamento nas redes sociais. Compartilhar opiniões e fotos, inclusive relacionadas ao ambiente profissional, são ações comuns no mundo virtual, mas, para o policial militar, essa espontaneidade pode ser prejudicial. Escândalos envolvendo policiais já ocorreram devido ao acesso da mídia a postagens inadequadas feitas por alguns profissionais. Agir com discrição é uma das obrigações do policial, de acordo com o seu código de ética. Expor-se em demasia é, portanto, inadequado e arriscado para a sua imagem.

   Faz-se necessário considerar, também, que até em sua vida pessoal o comportamento do policial precisa ser cuidado, uma vez que, na Era Digital, qualquer indivíduo com celular pode filmar ocorrências e divulgá-las na internet. A população não atenuará ações inadequadas, ainda que de baixa gravidade, realizadas por um policial por ele não estar em serviço, pois a sua postura precisa ser exemplar sempre para inspirar confiança à sociedade.

   Percebe-se, dessa forma, que, na Era Digital, a imagem de um policial pode ser facilmente prejudicada se este não estiver atento à legalidade de seus atos em todas as esferas da sua vida. Até mesmo ações tidas como de baixa gravidade, segundo as normas institucionais da Polícia Militar, praticadas por esses profissionais, podem repercutir de maneira muito negativa pela sociedade por meio da internet. Conhecer o código de ética e agir conforme os seus direcionamentos é o que garantirá a esse profissional uma imagem honrosa tanto de si quanto da corporação como um todo. 

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