sábado, 28 de abril de 2012

Análise gramatical - Para escrever bem

Olá!

Tirei essa foto próximo à Cinelândia, Rio de Janeiro, e decidi aproveitá-la por aqui.

É o seguinte: há um desvio gramatical no banner, acho que de fácil identificação, mas gostaria de saber se todo mundo conhece a norma que o  explica.

Como vejo alguns desvios desse tipo nos textos com os quais me deparo, acho que essa análise pode ser importante para quem frequenta esta casa.

Nessa postagem, somente a foto. Na próxima, apresentarei as explicações sobre o assunto.

Aguardo as mensagens de vocês.

Um abraço!
Lygia Maria


quinta-feira, 26 de abril de 2012

Redação pronta – análise de ideias e correção

Olá, pessoal!

Há quatro meses, venho fazendo a análise dos textos do Fernando, leitor do blog que contratou o serviço de correções. Fui autorizada por ele a publicar uma de suas redações analisadas. Acho que vocês vão gostar.
Como a análise está muito grande, postarei apenas parte dela. Os comentários sobre desenvolvimento, conclusão e as considerações finais foram suprimidos para que o artigo não ficasse muito grande e, portanto, pouco didático.

Escolhi um tema sobre o qual já falei neste post aqui (A valorização do corpo humano).

Divirtam-se!



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                                                        O corpo e a obsessão pela juventude


A ciência conseguiu avanços espantosos na compreensão do corpo humano. Em menos de um século, a expectativa de vida da população quase triplicou. Doenças que antes martirizavam grandes parcelas da população, como a varíola, foram completamente erradicadas. Estudos recentes envolvendo células tronco e os mecanismos dos telômeros cromossômicos sugerem até a possibilidade de se combater o envelhecimento celular. No entanto, esse salto no conhecimento científico e a decorrente valorização do corpo humano acabaram gestando uma supervalorização da saúde e da juventude como valores absolutos. O corpo jovem e erotizado passou a ser um objetivo buscado indistintamente por crianças, adultos, idosos e, até mesmo, por alguns jovens descontentes com a inadequação do seu perfil ao padrão imposto pela sociedade.
A partir desse modelo estabelecido de juventude e de comportamento saudável,estabeleceu-se uma indústria que lucra com essa obsessão e se alimenta dela, lucra e alimenta essa obsessão [L1] promovendo práticas que, muitas vezes, acabam contrariando o próprio objetivo de beleza e saúde a que se propõe proposto. Afinal, não existem benefícios diretos para a saúde nos implantes mamários de silicone. E muitas intervenções estéticas acabam criando rostos deformados e de aparência artificial devido ao abuso das técnicas de rejuvenescimento.
Além disso, o modelo constituído como ideal está completamente  descolado distante 
da realidade, o que acaba gerando um processo de autodepreciação e de repúdio do próprio corpo na grande maioria de indivíduos que não consegue alcançar esse modelo. Não espanta que diversos transtornos psíquicos relacionados à autoimagem, como a anorexia, tenham se tornado tão comuns nos últimos anos.

Assim, é inegável, assim,[L2] que a valorização do corpo e da saúde trazem enormes benefícios para toda a sociedade, no entanto, é preciso que haja uma preocupação em se utilizar os recursos atuais em prol do bem estar e do envelhecer com dignidade no lugar dessa obsessão maníaca pela juventude que presenciamos hoje. Nesse sentido, a curto prazo, seria interessante criar campanhas educativas que apontem apontassem discutam discutissem essa distorção nos valores atuais. A longo prazo, o melhor seria trazer levar essa discussão para dentro da sala de aula, introduzindo o debate em algumas disciplinas da grade curricular padrão, como filosofia, educação física e biologia, por exemplo. Dessa maneira, talvez se consiga fazer com que o corpo seja vivido e pensado como local de vida e prazer e se possa compreender que, como disse Arnaldo Antunes, “a coisa mais moderna que existe nessa vida é envelhecer”.


[L1]Verbos “lucrar” e “alimentar” têm regências diferentes.

 [L2]Prefira deslocar o conectivo para o meio.




Avaliação
Tema: a valorização do corpo

Considerações: Somente analisando-se a frase-tema, considero difícil o desenvolvimento de um bom texto. Isso porque todas as ideias que tendem surgir para a elaboração da dissertação relacionam-se a críticas sobre a supervalorização do corpo. E é certo que a maioria dos candidatos irá por esse caminho de análise. Dessa maneira, é necessário pensar em uma maneira de desenvolver esse assunto surpreendendo o avaliador, a fim de que o texto se destaque dos demais.
A leitura dos textos de apoio apresentados é muito útil para que se abram caminhos de análise. Por exemplo, no primeiro texto motivador, fala-se sobre a “indústria do corpo”; no segundo, sobre a relação entre interior e exterior; no terceiro, por fim, sobre regras necessárias para se garantir a saúde do corpo.

Se antes da leitura dos textos de apoio a tendência era pensar apenas na ideia de padronização da beleza ou nos exageros cometidos para se atingir o corpo perfeito, agora, pode-se pensar de maneira mais ampla, explorando a ideia de saúde como união de corpo e mente, falando sobre todo o dinheiro que essa valorização do corpo movimenta na sociedade etc.

Porém, mesmo com diversificação de ideias sobre o tema, é preciso tomar cuidado para o texto não ficar expositivo, ou seja, um texto em que apenas informações são apresentadas, sem uma defesa de ponto de vista explícita.

Apesar do tema comum, aparentemente simples, é preciso empenho para conseguir o 10 nessa redação.


Projeto de texto identificado

Introdução

Contextualização: desenvolvimento científico/ maior compreensão do corpo humano. Estratégia fotográfica: erradicação de doenças, aumento na expectativa de vida, combate ao envelhecimento.

Tese: o avanço científico como gerador da ideia de supervalorização da saúde e da juventude.

Informação extra, decorrente da tese: corpo jovem e erotizado como objetivo perseguido pela maior parte da população.


Desenvolvimento – em dois parágrafos

D1: modelo de juventude e de comportamento saudável como incentivador de uma indústria, que, de certa forma, estimula uma obsessão pelo corpo perfeito.

D2: o padrão de beleza imposto não corresponde à realidade. Para alcançá-lo, muitos são prejudicados.

Conclusão

Primeiro período: valorizar o corpo e a saúde é muito importante, mas é preciso que esse processo tenha o bem-estar como consequência, e não a obsessão.

Períodos seguintes: propostas de solução a curto e longo prazos.

Finalização: referência a Arnaldo Antunes.



Análise do projeto de texto

Aspectos da introdução

*Sobre a contextualização:

“A ciência conseguiu avanços espantosos na compreensão do corpo humano. Em menos de um século a expectativa de vida da população quase triplicou. Doenças que antes martirizavam grandes parcelas da população, como a varíola, foram completamente erradicadas. Estudos recentes envolvendo células tronco e os mecanismos dos telômeros cromossômicos sugerem até a possibilidade de se combater o envelhecimento celular”.

Muito boa essa contextualização. O trecho cumpriu bem o seu papel, apresentando o assunto de maneira geral e conduzindo o leitor a uma opinião definida acerca do assunto. Como o parágrafo ficou muito grande, ficando desproporcional em relação ao desenvolvimento e à conclusão, esse conteúdo poderia ter sido apresentado de maneira mais sintética.

*Sobre a tese
Consigo claramente identificar a tese da introdução, mas destaco dois pontos importantes sobre ela:

- Falar que o conhecimento científico gerou uma supervalorização da saúde e da juventude ficou inadequado. A sua defesa será relacionada à busca da juventude e não sobre a busca da saúde, até porque, trata-se de aspectos, muitas vezes, opostos, como você afirma no desenvolvimento.

Explicando melhor: na contextualização você falou sobre os benefícios do avanço científico, citando o combate ao envelhecimento e a erradicação de doenças. Para entrar na tese, você usa o conectivo “no entanto”, o que marca o início de uma oposição. É como se você falasse “Apesar dos aspectos positivos, decorrentes do avanço científico, há pontos negativos que também devem ser considerados, como a supervalorização da saúde e a obsessão pela juventude”. E o esquisito foi exatamente essa ideia de que a supervalorização da saúde é negativa. Além dessa ideia não condizer com o que será apresentado em D1 e D2, é estranho entender que a supervalorização da saúde seja ruim.

- Outro ponto importante é que, com a tese apresentada, o texto ficou mais expositivo do que argumentativo. É como se você fosse um jornalista falando, de maneira imparcial, sobre o assunto.

- Considerando esses dois pontos, veja como, com pequenas alterações, os problemas citados podem ser eliminados.


Sua tese:

“No entanto, esse salto no conhecimento científico e a decorrente valorização do corpo humano acabaram gestando uma supervalorização da saúde e da juventude como valores absolutos”.

Sugestão de reescritura:

“No entanto, apesar desse salto no conhecimento científico ter proporcionado uma supervalorização da saúde, o que é benéfico para a sociedade, gerou-se também um processo muitas vezes negativo, de supervalorização do corpo, em que se considera a juventude um valor absoluto”.

Perceba como o trecho em azul acabou com a imparcialidade da sua tese. Agora, há um posicionamento claro – explicitamente contrário à ideia apresentada.

Com o trecho em vermelho, o texto ficou condizente com o que você apresenta no desenvolvimento e combina perfeitamente com o primeiro período da sua conclusão.  Veja:

“Assim, é inegável que a valorização do corpo e da saúde trazem enormes benefícios para toda a sociedade, no entanto, é preciso que haja uma preocupação em se utilizar os recursos atuais em prol do bem estar e do envelhecer com dignidade no lugar dessa obsessão maníaca pela juventude que presenciamos hoje”.

Obs: O primeiro período da conclusão deve ter a mesma ideia da tese.

domingo, 22 de abril de 2012

Mensagem aos leitores

Olá, pessoal!

Nesta postagem, não falarei sobre técnicas de redação. Quero apenas “conversar” um pouco com vocês, dar alguns avisos e contar novidades.

è Primeiramente, quero agradecer a enorme presença de todos por aqui. Já faz algum tempo, o blog tem tido uma quantidade muito grande de acessos diários – também tenho recebido cada vez mais e-mails - e isso é uma prova de que o material aqui exposto tem sido útil para as pessoas. É muito legal ver todo o crescimento de um trabalho que começou de forma tão despretensiosa. Obrigada mesmo!!


è O blog está sendo transferido do Blogspot para o Wordpress. Todos os conteúdos serão migrados, apenas a identidade visual será modificada. Quem acessar o endereço atual, com o nome “blogspot”, será direcionado para o novo endereço.


è Reparem que inseri, no lado direito da página, uma informação sobre correção de redações.  Desde a criação do blog, tenho feito o acompanhamento de muita gente pela internet e os resultados têm sido muito bons. Mas esse é um trabalho que faço a parte, de forma não gratuita. Quem tiver interesse, é só me enviar um e-mail.


è A procura das pessoas por acompanhamento em redação tem sido muito grande. E, como disse acima, tenho feito muitos trabalhos de correção pela internet. Para contar com uma estrutura melhor nesse sentido, em breve, estará no ar o DisCurso Online. Trata-se de um curso de redação a distância, em que cada assinante poderá escolher o tipo de aula que mais se adeque ao seu perfil.  Importante dizer que os cursos não consistirão somente em videoaulas. Cada pessoa será acompanhada de maneira bem aproximada, escrevendo muito. Sou suspeita para falar, é claro, mas o material está muito bom. Faltam apenas alguns ajustes para que o site comece a funcionar.


è O  DisCurso Online não terá relação direta com o blog. O Para escrever bem continuará existindo como vocês já conhecem. São dois projetos diferentes e um não influenciará no funcionamento do outro.


è Se você gosta desse blog, divulgue-o. Há coisas muito boas na internet sobre redação, mas o número de sites de qualidade é menor em relação ao conteúdo que temos disponível sobre gramática.


è Gostaria de ter notícias do pessoal que fez a prova da Caixa Econômica Federal. Contem pra gente se saíram na redação!


è Há outros dois concursos em que a redação será cobrada: o da Controladoria Geral da União – CGU e o do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Como muita gente, infelizmente, tem dificuldades na escrita, a redação em concursos acaba sendo um diferencial.  Vi o edital no site da Folha Dirigida.


è Para o pessoal que vai tentar vestibulares e ENEM: não há mais como adiar os estudos. Já estamos quase no meio do ano e as provas já já chegarão. O desenvolvimento em redação não acontece do dia para a noite, portanto, já passou da hora de iniciar a preparação.


è Para quem ainda tem Orkut: criei uma comunidade chamada DisCurso online vestibular. O objetivo é proporcionar a troca – sobre redação e língua portuguesa - entre vestibulandos. Passem lá!!!


è Quem quiser receber notícias sobre redação no Twitter, sigam @discursoonline. No Facebook, procurem também por DisCurso Online.


è Tenho também um canal no YouTube. Procurem por Thelygiafs. Há apenas dois vídeos até o momento, mas, em breve, mais materiais serão inseridos.
Então é isso. Sucesso para todos nós!




quarta-feira, 18 de abril de 2012

Análise da redação "Descanso do cavalo branco"

Olá, pessoal!

Após a postagem extraordinária para o concurso da Caixa Econômica, seguem os comentários sobre a redação “Descanso do cavalo branco”, publicada neste post aqui.

Introdução
Pela frase-guia do primeiro parágrafo, percebe-se que a linha de raciocínio do autor é a seguinte:

“O homem contemporâneo tem dificuldade de viver um grande amor porque o mundo de hoje é, em muitos aspectos, incompatível com idealizações amorosas”.

Para comprovar essa ideia, o autor compara a era atual com a medieval. Essa comparação foi interessante porque conferiu um tom criativo ao texto.

Desenvolvimento
As causas de o homem contemporâneo ter dificuldades de viver um grande amor na era atual são:

D1: Correria, ansiedade do mundo de hoje. A vida corrida faz com que seja escasso o tempo para se dedicar ao amor.

D2: Individualismo, racionalismo do mundo moderno. As pessoas hoje são muito voltadas para si próprias e, nesse contexto, é difícil se dedicar a um sentimento que exige tanta doação.

D3: Crise de valores. No mundo de hoje, o ser humano usa mal a liberdade, o que o impede de viver um relacionamento estável.

Conclusão
Reafirmação da tese + desfecho criativo.
Desfecho criativo: caso se queira facilitar a experiência de viver tão grandioso sentimento, armadura e cavalo branco aguardam adormecidos.

Ou seja: no mundo de hoje, é muito difícil viver um grande amor, no entanto, se alguém estiver disposto, ainda é possível amar.

O cavalo branco adormecido é uma metáfora, utilizada para criar a imagem de um sentimento que, apesar de estar deixado de lado, ainda pode existir para quem se dispuser.

Importante também perceber que é nesse desfecho que o título pode ser entendido. Temos aí um bom exemplo de como o título pode ser importante para uma redação, apesar de não ser obrigatório.

Pronto! Redação brevemente analisada.
Obs: a nota desse texto foi 9,5.

Dúvidas? Comentários?
                                                                  Imagem retirada do site http://cienciahoje.uol.com.br


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Redação para o concurso da Caixa Econômica Federal - Sustentabilidade

Olá!

No último post, eu havia dito que em próxima publicação faria a análise da redação “Descanso do cavalo branco”. No entanto, adiarei essa postagem a fim de atender um grupo que precisa de urgência: os candidatos ao concurso da Caixa Econômica Federal, que farão, no próximo domingo, uma prova cuja redação é eliminatória.

Recebi em meu e-mail alguns pedidos de orientação para desenvolvimento de uma redação sobre o tema “sustentabilidade”. Em um fórum de discussão sobre o concurso, o mesmo pedido me foi feito, então, achei importante escrever a respeito.

Abaixo apresento um roteiro e uma introdução sobre o tema, porém, para facilitar o entendimento, repetirei parte de uma outra postagem, em que falei um pouco sobre elaboração de roteiro.

Como se trata de um assunto abrangente, muitas ideias me vieram à cabeça. Tive que me forçar a parar de escrever para a publicação não ficar muito grande. Porém, se fizesse a redação completa, usaria todas as ideias que expus nos tópicos do roteiro. É possível perceber que a minha tese – último período da introdução – é um resumo de tudo o que escrevi e apresenta os tópicos que eu abordaria no desenvolvimento.

Bom, é isso! Agora vamos ao conteúdo.

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Para fazer o roteiro, eu sigo os seguintes passos:

1.Escrevo, em tópicos, todas as ideias que me vêm à mente sobre o tema.
Nesse primeiro momento, não me preocupo em como estou escrevendo, apenas com as ideias. Uso gírias, repito palavras etc. O importante é passar para o papel o que está na minha cabeça.

2.Analiso o que escrevi para identificar qual será a minha linha de raciocínio sobre o tema.
Esse momento é interessante, pois, às vezes, antes de fazer o roteiro, eu tenho uma ideia, porém, depois de escrever tudo, percebo que vou seguindo por outro caminho, às vezes até oposto ao inicial.

3.Organizo, seleciono, descarto.
Já sabendo o que eu vou defender, começo a agrupar os tópicos que possuem alguma relação; penso que ideias poderão estar na conclusão, no desenvolvimento e na introdução; descarto os tópicos que acho fracos ou que não fazem sentido na linha de raciocínio que escolhi.

Pronto! São esses os passos que sigo antes de começar a escrever.


Abaixo, então, está a minha produção. Antes, apenas, algumas observações para facilitar a análise:

- No roteiro, usei cores para agrupar as ideias que se relacionavam.

- Minha linha de raciocínio constituiu a frase guia da minha introdução – último período.

- Não reparem o vocabulário extremamente coloquial do roteiro. Como disse acima, nessa etapa, eu não me preocupo em como estou escrevendo.

- Percebam, na introdução produzida, que eu não apresentei o assunto de forma imparcial, como uma jornalista. Expus um ponto de vista, explicitei uma abordagem, me posicionei em relação ao tema. É importante essa observação porque é comum, em um tema como esse, as pessoas fazerem um texto expositivo, apenas apresentando informações. No caso de uma dissertação argumentativa, é preciso mais do que isso.

Roteiro

Sustentabilidade

- Nos últimos anos, o conceito de sustentabilidade tem estado bastante em voga.

- Na verdade, fala-se sobre desenvolvimento sustentável, que significa permitir o avanço de um país, por exemplo, porém realizando ações para que esse desenvolvimento não degrade o meio ambiente e, assim, não prejudique as gerações futuras. A sustentabilidade tem como princípio a ideia de que o crescimento deve estar aliado à preservação de recursos naturais.

- Em um momento em que se fala tanto da questão ambiental, o conceito de sustentabilidade ganhou força.

- No setor empresarial, é de grande importância a adoção de medidas sustentáveis em seus processos. Adotar ações que permitam um crescimento consciente tem funcionado, inclusive, para a respeitabilidade de uma companhia. É possível perceber que muitas empresas estão investindo em ações sustentáveis para se projetarem junto à sociedade como ambientalmente corretas.

- Em alguns casos, essa associação da imagem de uma marca à ideia de sustentabilidade pode até ser apenas marketing. É provável que haja companhias que no dia a dia pouco se preocupam com essa questão, mas realizam algumas ações a fim de ficarem bem projetadas.

- Pensar em sustentabilidade é, por mais paradoxal que pareça em um primeiro momento, pensar em lucro. Os recursos disponíveis para crescimento das companhias podem se tornar escassos caso não haja um planejamento. Dessa forma, pensar em sustentabilidade é uma maneira de garantir a continuidade de produção a longo prazo.

- A ideia de sustentabilidade também está relacionada à questão social. Sustentabilidade e educação, por exemplo, são instâncias interligadas, pois somente uma população instruída pode ter uma consciência que não seja imediatista.

- Desenvolvimento econômico precisa estar aliado à conservação dos ecossistemas.

- Em entrevista a um programa Cidades e soluções, uma especialista no assunto explicou que o conceito de sustentabilidade é entendido de maneira superficial, afirmando que algumas instituições, por exemplo, para falar que são sustentáveis, defendem apenas a ideia de reciclagem. Na verdade, muitos produtos que são consumidos pela população possuem processos complexos, em que cada matéria-prima para sua confecção vem de um lugar diferente. Dessa maneira, muita energia é gasta para o oferecimento de um simples produto. As empresas que realmente se preocupam com a sustentabilidade já estão modificando sua forma de produção, investindo no encurtamento das distâncias para a fabricação.

Introdução

               Mais do que uma questão ambiental

A busca das nações por crescimento econômico fez com que surgissem muitas reflexões sobre a maneira como o desenvolvimento tem se dado. Nesse contexto, o conceito de sustentabilidade, que tem como princípio básico a ideia de avanço econômico aliado à preservação de ecossistemas, passou a vigorar na sociedade. Trata-se de um conceito complexo, que envolve a ideia de lucro, educação, meio ambiente e que só será alcançado se praticado – e entendido- em sua totalidade.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Redação pronta - Descanso do cavalo branco

Olá!

Quando falei com meus alunos do pré-vestibular sobre linguagem artística na redação, citei o texto que transcrevo abaixo. Na ocasião, lemos apenas a introdução e a conclusão. Agora, apresento aqui o texto na íntegra.

No momento, não analisarei a produção. Deixo-a apenas para análise de vocês. Em próxima postagem, farei os devidos comentários.

A redação foi feita para a proposta da UFBA e o tema foi o seguinte:

       Por que o homem contemporâneo tem dificuldade de viver um grande amor?

É isso!

Divirtam-se e comentem!

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           Descanso do cavalo branco

                 Quando o tema é o grande amor, pensa-se logo em algo inalcançável, em uma relação desejada por todos os homens, mas que mais se enquadra em um conto de fadas com personagens medievais do que na realidade do homem contemporâneo. Com isso, podemos dizer que a dificuldade em atingir essa idealização está intimamente ligada à distância comportamental entre essas duas eras.
              O primeiro dos fatores que distanciam o homem contemporâneo do medieval é a sua ansiedade. Se, para muitos, a rotina do príncipe montado no cavalo branco é algo bucólico, sereno, hoje, o homem não pára, está em constante correria para acompanhar todas as mudanças do seu mundo, E é nesse contexto que nasce nele a sensação da redução do tempo de que dispõe para se dedicar ao seu descanso, ao seu prazer. Justamente por causa dessa sensação, o homem contemporâneo vem se tornando cada vez mais hedonista, o que contrasta com a paciência de um cavaleiro que aguarda o tempo que for e suporta qualquer provação até alcançar seu final feliz ao lado da donzela, nem que seja só por alguns instantes.
              Além disso, contrapõem-se os atuais individualismo e racionalismo com os ideais românticos de afeto e abnegação. Como esperar de um homem que não consegue sair do centro de seu próprio mundo uma demonstração da importância do outro em sua vida? Como esperar que esse homem de atitudes calculadas abra mão de estabilidade para levar uma vida cheia de surpresas, com a única certeza de não estar sozinho ? O príncipe medieval sempre termina seus contos sem exatidão do futuro e depois de declarar todo seu amor.
             Contudo, a mais contrastante barreira entre essas duas "realidades" é a crise de valores vivida pelo homem que banalizou a liberdade. Pode-se até conceber que na Era Medieval faltasse liberdade, mas em circunstância alguma cogitava-se colocar em risco os valores da fidelidade, do respeito e da admiração entre um casal. A vulgarização da sexualidade desmistificou o desejo entre os amantes e, nesse cenário libertino, perdeu-se o encanto por uma novidade que já não tem mais sua surpresa.
              Dessa forma, fica fácil entender a utopia que se tornou o grande amor. Não se podem esperar moldes divinos em uma sociedade que buscou a mudança para a chamada "modernidade". E caso se queira facilitar a experiência de viver tão grandioso sentimento, armadura e cavalo branco aguardam adormecidos.

          Imagem retirada do site http://poetagerson.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Elaboração de roteiro e uma introdução - Tema: Altruísmo

Oi, pessoal!

Em um fórum de vestibulandos de medicina, uma pessoa me pediu ideias para produção de uma introdução sobre “Altruísmo”. Apesar de ter achado o tema muito vago, me deu vontade de fazer o parágrafo introdutório sugerido.

Aproveitando o ensejo, achei que poderia ser útil postar, além da introdução, o roteiro que fiz antes de escrevê-la, pois essa é uma etapa essencial na produção de uma dissertação.

E para fazer o roteiro, eu sigo os seguintes passos:

1.Escrevo, em tópicos, todas as ideias que me vêm à mente sobre o tema.
Nesse primeiro momento, não me preocupo em como estou escrevendo, apenas com as ideias. Uso gírias, repito palavras etc. O importante é passar para o papel o que está na minha cabeça.

2.Analiso o que escrevi para identificar qual será a minha linha de raciocínio sobre o tema.
Esse momento é interessante, pois, às vezes, antes de fazer o roteiro, eu tenho uma ideia, porém, depois de escrever tudo, percebo que vou seguindo por outro caminho, às vezes até oposto ao inicial.

3.Organizo, seleciono, descarto.
Já sabendo o que eu vou defender, começo a agrupar os tópicos que possuem alguma relação; penso que ideias poderão estar na conclusão, no desenvolvimento e na introdução; descarto os tópicos que acho fracos ou que não fazem sentido na linha de raciocínio que escolhi.

Pronto! São esses os três passos que sigo antes de começar a escrever.

Há muitos outros detalhes importantes para apresentar quando se ensina produzir um roteiro, porém, para que a postagem não vire uma “monografia”, tentei usar uma descrição mais básica e prática.


Abaixo, então, está a minha produção. Antes, apenas, algumas observações para facilitar a análise:

- No roteiro, usei cores para agrupar as ideias que se relacionavam.
- Minha linha de raciocínio constituiu a frase guia da minha introdução – último período.
- Não reparem o vocabulário extremamente coloquial do roteiro. Como disse acima, nessa etapa, eu não me preocupo em como estou escrevendo.

Roteiro

- há muitas pessoas que se preocupam com o próximo, mas parece que a tendência da sociedade tem sido "cada um cuidar do seu".

- O motivo de cada indivíduo olhar tanto para si mesmo pode ter como uma das causas o governo capitalista, que apregoa a ideia de vencedores e perdedores, de lucro, ou seja, para se ter êxito, é preciso ser melhor do que o outro.

- Outro motivo para a falta de altruísmo pode ser a correria do mundo moderno, pois as pessoas acabam se tornando tão sobrecarregadas que acabam deixando de pensar em si próprias e, como consequência, pensar no outro é ainda mais difícil.

- Às vezes a mídia noticia casos de solidariedade em que os envolvidos em ajudar o outro são considerados verdadeiros heróis. E o herói nada mais é do que aquele que tem poderes que os outros não possuem. Deduz-se, pois, que pensar no outro é um poder raro na sociedade.

- A violência também pode ser uma das causas da falta de altruísmo. Já foram noticiados casos em que uma pessoa que tentou defender outra acabou morrendo ou se ferindo. Então, é melhor não se meter.

- Mudar esse cenário é difícil, mas não impossível. É preciso que o conceito de ética se faça mais presente nos dias de  hoje - nas escolas, na família...- a fim de que a ideia de pensar no outro seja um valor social.

- Há alguns meses, a mídia exibiu o caso de um homem que, para tentar salvar a vida de um morador de rua, foi espancado quase até a morte. Casos como esse causam grande repercussão e acabam sendo uma sacudida na população. E nem tudo está perdido, pois se há ainda comoção sobre acontecimentos como esse, é porque as pessoas ainda valorizam atitudes altruístas. Nem tudo está perdido.

- O Brasil é a sexta economia no ranking mundial e essa posição tem sido comemorada pelo governo, pela sociedade. Enquanto isso, há muita desigualdade social... mas isso parece ser o de menos, pois o que importa mesmo é a posição de destaque, é conseguir êxito dentro do sistema capitalista.


Introdução

                Depois os outros

Apesar das condições precárias de parte da população, o crescimento econômico brasileiro tem sido bastante comemorado no ano de 2012. Tal paradoxo deixa evidente que a prioridade do sistema de governo dominante, no mundo, não são as pessoas, mas sim a posição que se ocupa em relação ao outro. E essa filosofia capitalista pode ser uma das causas de se viver hoje em uma sociedade tão pouco altruísta, em que o ideal de vencer, presente em cada indivíduo, o impede de olhar para o próximo.