quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Indicação: Análise Sintática – Português é simples

Acabei de voltar da livraria Saraiva, onde aconteceu o lançamento do livro que dá nome a essa postagem. A autora é Eliane Vieira, amiga querida que conheci na pós, no Liceu Literário Português.
Com aproximadamente 500 questões sobre análise sintática de diversas bancas organizadoras, mais de 100 questões comentadas e ainda teoria objetiva, o livro é indispensável para quem está se preparando para concursos.
Então... fica a dica de um ótimo material de estudos.
Análise Sintática – Português é simples – Editora Ferreira
Autora: Eliane Vieira







sábado, 29 de outubro de 2011

Redação Enem 2011 - Inteligência digital


Como anunciado, segue a redação que produzi para o tema do Enem 2011 – Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado.
Fiz essa redação em casa, mas tentando reproduzir o ambiente da prova: o texto foi feito em 1 hora e sem pesquisa de conteúdos. Nos dias seguintes à escrita dessa redação, senti vontade grande de mudar alguns trechos, inserir informações, mas não o fiz. Isso porque meu objetivo foi me aproximar da condição dos candidatos no momento da prova a fim de identificar quais poderiam ser as dificuldades em relação ao tema.
Avalio o texto que produzi como correto tecnicamente, mas faltou interdisciplinaridade.  Gostaria também de ter feito mais um parágrafo de desenvolvimento, mas não deu tempo.
Segue o texto nessa postagem. Na próxima, os comentários.

                                                              Inteligência digital
            São inegáveis os benefícios proporcionados pela comunicação na chamada Era Digital, o problema é que nem todos os usuários encontraram a maneira ideal de participar desse novo tempo. Uma prova disso é a falta de discernimento sobre o que deve ou não ser exposto na rede. Apesar de haver situações positivas, quando informações particulares se tornam públicas na Web, na maioria das vezes, esse processo é negativo e precisa de controle.
            Em alguns casos, é importante que uma situação sigilosa passe a ser de conhecimento geral, até para que se garanta o respeito aos direitos humanos.  Nesse contexto, a ruptura do privado por meio da internet é de grande importância para a sociedade. Um exemplo claro nesse sentido é o caso da organização WikiLeaks, que, há algum tempo, divulgou vídeos do exército americano atacando civis no Iraque. Os vídeos mobilizaram todo o mundo e cumpriram importante papel social.
            No entanto, o caso do WikiLeaks repercutiu positivamente porque teve tom de denúncia. Quando a exposição por meio da rede relaciona-se à vida do cidadão comum, as consequências são negativas. Com a ascensão das redes sociais, têm ocorrido grandes equívocos. Já foram divulgados na internet vídeos de casais expondo suas intimidades sem se darem conta do quanto a disseminação pela internet é rápida. Ações como essa denigrem a imagem de uma pessoa e são muito prejudiciais na vida que se vive além da tela do computador.
            É inegável, portanto, que, na sociedade atual, tem sido fácil tornar público o particular e que pode haver consequências boas e ruins em ambas as situações. Para que as ruins sejam evitadas, seria importante que uma nova disciplina passasse a integrar o currículo escolar – Educação Digital – a fim de que se formasse uma geração mais consciente. Além disso, campanhas poderiam ser veiculadas pela mídia, alertando a população sobre a falta de segurança na rede. Provavelmente, dessa maneira, daqui a algum tempo, teremos uma sociedade com maior inteligência digital.

Foto do blog: www.lucianoedipo.blogspot.com

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Comentários sobre a redação - Enem 2011

Conforme prometido, seguem os comentários sobre a redação do último domingo.
Tema: Viver em rede no século XXI. Os limites entre o público e o privado.
A frase afirmativa no tema
O tema nesse formato é sempre um pouco mais difícil do que um em forma de pergunta. Veja como seria mais fácil falar sobre esse assunto com uma proposta com frase interrogativa:
.Viver em rede no século XXI: há limites entre o que é público e o que é privado?
. Viver em rede no século XXI: quais são os riscos de tornar públicas informações privadas?
Quando há uma pergunta, a banca já direciona o caminho que o autor do texto deverá percorrer, por isso fica mais fácil. Como não foi o que aconteceu, o candidato é que deveria ter pensado nessas perguntas para refletir sobre elas e ter uma tese para defender.
Quando eu soube desse tema, fiquei pensando sobre o assunto e me fiz essas perguntas. A partir das minhas reflexões, fiz meu roteiro e cheguei a um posicionamento sobre o tema.
A necessidade de problematização
Como no Enem é necessário inserir propostas de solução, é claro que deve haver um problema. O tema em questão, no entanto, não apresenta um problema de forma explícita. Veja só: uma pessoa pode ter pensado que não há limites entre o público e o privado na rede e que isso é benéfico para a sociedade. Ainda assim, no desenvolvimento deveria haver um “porém”, em que o lado negativo da situação fosse também apresentado.
A tendência ao texto expositivo
O candidato não preparado pode ter construído um texto expositivo, com parágrafos formados apenas por exemplos ou por ideias pouco desenvolvidas. Não bastava, por exemplo, dizer que por meio das redes sociais as pessoas se expõem muito. Era preciso dizer se essa exposição é boa, ruim, as suas consequências etc. Ou seja, articular a exposição de fatos à tese da introdução.
A importância de estar bem informado
Quando soube do tema, primeiro pensei nas redes sociais e em como as pessoas não estão se dando conta de que é preciso cautela ao expor informações particulares nesses sites. Posteriormente, pensei na organização WikiLeaks, que divulgou na rede informações sigilosas de vários órgãos do governo americano. Infelizmente, tem gente que não sabe o que é o WikiLeaks e, nesse caso, perdeu a oportunidade de apresentar uma informação importante relacionada ao tema.

Em próxima postagem, apresentarei a redação que fiz sobre o tema.
Até mais!

Tirinha de André Dahmer

domingo, 23 de outubro de 2011

Viver em rede: o limite entre o público e o privado


Foi esse o tema da redação do Enem de hoje e, em minha opinião, o assunto foi bem interessante. Vocês gostaram?
Em breve, publicarei artigo com comentários sobre a prova. Enquanto isso, sugiro a leitura da redação produzida pelo professor Rafael Pinna, publicado em O Globo on line, agora pouco, sobre o tema da redação. Clique aqui para acessar.
Aguardem mais notícias e deixem comentários. Estou ansiosa para saber como foram.
                                                                                                           Até mais!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Dicas objetivas para a redação do Enem

A dois dias do início do Enem, sei que estão todos os candidatos em grande expectativa. E agora não há mais o que fazer, apenas relaxar para fazer a prova com mente e corpo descansados.
Listo a seguir informações básicas, mas valiosas, para a produção de um bom texto no Enem.
- Programe-se para fazer a redação em, no máximo, 1 hora e 15 minutos.
- Já falei outra vez por aqui: você não começa a redação quando inicia a escrita, mas quando começa a refletir sobre o tema. Não se preocupe em ficar um tempo pensando sobre o assunto. Isso será importantíssimo para a produção de um bom texto.
- São frequentes as fugas parciais em relação ao tema e, para evitar isso, é preciso ler atentamente a proposta e identificar exatamente o que está sendo solicitado. Marque as palavras-chave para facilitar a compreensão. Por exemplo, se o tema for uma pergunta iniciada por “Por que”, o “porquê” é a palavra-chave. É esse termo que está dizendo que você deverá falar sobre causas. Se na proposta houver a palavra Brasil, é esta uma das palavras-chave, portanto, não fale sobre a situação em termos universais. Foque no contexto brasileiro. Falei sobre isso de forma detalhada aqui nessa postagem.
- Se o tema não for pergunta e sim uma frase afirmativa, uma possibilidade é fazer 1 parágrafo de desenvolvimento falando sobre causas e o outro sobre as consequências.
- Insira propostas de solução emergenciais e estruturais para o problema.
- A introdução precisa de uma frase-guia, em que você apresente, de forma breve, o que será defendido nos parágrafos seguintes.
- Faça referência a diferentes áreas de conhecimento. A avaliação do Enem leva em consideração esse aspecto de interdisciplinaridade.
- Podem ser feitos 2 ou 3 parágrafos de desenvolvimento.
- Cuidado com os períodos muito longos.
- Não copie trechos dos textos de apoio. Leia-os para ter ideias sobre o tema.
- Não generalize. Em vez de dizer, por exemplo: “A juventude usa drogas porque não tem um ambiente familiar estruturado”, diga: “Em algumas situações,  a causa de o jovem começar a usar drogas pode ser um ambiente familiar desestruturado”. Generalizações são de difícil sustentação, por isso, pondere a linguagem.
- Insira um título criativo ao texto. Em muitos casos, o nome do texto não é obrigatório, mas ele pode ser de grande importância para que a redação fique mais criativa. Evite títulos “burocráticos”, ou seja, aqueles que são inseridos apenas para cumprir uma formalidade. Invista, mesmo, no nome do texto.
- Atente para o respeito aos direitos humanos. Ainda que você pense que para resolver o problema da criminalidade no Brasil seja necessário matar pessoas, não apresente essa ideia no texto, pois você estará ferindo o direito à vida e o Enem penaliza severamente esse tipo de postura.
- Não use a primeira pessoa do singular e não exagere na primeira do plural.
- Não converse com o leitor do texto. Exemplo: “Se você parar para refletir sobre o assunto...”. Esse “você” é quem? O cara que está corrigindo seu texto? Olha, ele não quer papo contigo! He He He...
- Atenção! Não existem as palavras DERREPENTE, CONCERTEZA, DENOVO, PORISSO. A escrita correta é DE REPENTE, COM CERTEZA, DE NOVO, POR ISSO.
- A palavra ONDE só se refere a lugares, portanto, é equivocado dizer “São muitas as situações onde pessoas são prejudicadas”. Nesse caso, o “onde” deve ser substituído por “em que”. Já em “No Brasil, onde a televisão exerce grande influência social...”, o “onde” está adequado, pois faz referência a um local – o Brasil.
- Cuidado com a repetição de palavras. Assim que terminar de escrever, releia o texto cuidadosamente. Se perceber que há a mesma palavra várias vezes, substitua algumas por sinônimos. Se a redação já estiver à caneta, faça uma “rasura bonitinha, discreta”. Não tem problema nenhum. Só não vale rasurar o texto todo.
- A letra de forma pode ser utilizada, o único cuidado, nesse caso, é que as letras maiúsculas e minúsculas devem ser diferentes.
- Você pode ou não pular uma linha entre o título e a primeira linha da introdução. Só não pule linha entre os parágrafos. Apesar de isso não descontar pontos de maneira direta, o corretor pode achar que se trata de uma estratégia para escrever pouco por falta de argumentação.
- Não faça letra gigante para acabar logo o texto. Escreva normalmente. O texto pode ser considerado bom, mesmo que não tenha 25 linhas.
- Não escreva apenas 8 linhas, que é o mínimo exigido pelo Enem para a validação do texto. Em tão pouco espaço, é muito difícil apresentar uma boa defesa de ponto de vista e ainda apresentar soluções.
- Todo início de parágrafo deve ser marcado com um recuo. E é preciso escrever até o final da linha. Exceto quando se chega à última linha do parágrafo, é claro.
- Evite começar o texto com as expressões “Hoje em dia”, “Nos dias de hoje”, “Atualmente”. Trata-se de uma fórmula desgastada que não é bem vista pelas bancas. Diferencie-se dos outros candidatos fazendo diferente.
- Não use clichés. É ruim ler um texto e encontrar frases do tipo “O brasileiro não desiste nunca”; “Violência gera violência”. Essas expressões aparecerão na redação da galera que não estudou. Você pode fazer melhor.
- Não use vírgula entre sujeito e predicado.
- Tome muito cuidado para os parágrafos não ficarem expositivos. Fazendo um parágrafo apenas com exemplos ou somente relatando fatos, você não estará argumentando. Lembre-se de que em uma dissertação-argumentativa você deve defender uma ideia, comprovar um ponto de vista, ou seja, argumentar.

Por fim, na sexta-feira, assista a programas bobinhos na televisão, escute música, alimente-se bem, tome um chá de erva cidreira, bata papo etc. Será a hora de preparar o espírito para os dois dias de prova.
Não se intimide com a quantidade de pessoas no local do exame. Todas estão tão inseguras quanto você. E cada vez que um candidato sair após 2 horas de prova, diga internamente “Menos um!!”. Rsrs

Desejo a todos uma prova MARAVILHOSA!!! E passem por aqui no domingo para contar como foi.
Rumo ao 10 na redação do Enem!!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Redação analisada: Os idosos e a sociedade - Enem 2009


Olá! Antes de sua leitura, um pequeno aviso.  Em junho de 2015, o blog voltará a ter publicações periódicas. Você tem dificuldade em algum tema específico e quer que eu o aborde por aqui? Se sim, envie-me um e-mail explicando-me a sua necessidade e eu preparei novos conteúdos a respeito! Aguardo seu contato pelo e-mail: lygiafs@yahoo.com.br 
Até breve!
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Os idosos e a sociedade
O estatuto do idoso prevê, sem reservas, os direitos dos idosos na sociedade brasileira. Com o aumento da expectativa de vida, essa atitude o respeito a essa lei se torna imprescindível para a vida digna dos mesmos. No entanto, a condição de "ser idoso" gera um preconceito que impede grande parte dessa parcela da população de participar ativamente da vida em sociedade (TESE). A conclusão é imediata: aqueles que no passado ajudaram a construir o Brasil atual,  (não separe sujeito e predicado)são marginalizados por ele.
            Em pleno século XXI, o mundo se encontra em sua mais notável fase capitalista, onde em que (onde só deve ser usado para fazer referência a lugares) os conceitos de individualismo e produtividade imperam sobre quaisquer outros. Quando algo se torna improdutivo, é imediatamente considerado desnecessário e substituído. Esse conceito também se aplica à esfera social. Os idosos são descartados por supostamente não terem o mesmo vigor da juventude, e, na maioria das vezes, não lhes é dada a menor oportunidade de demonstrar o contrário. O parágrafo está ótimo, mas se pudesse citar um exemplo curto ao final, a argumentação ficaria ainda mais forte.
            Entretanto, podemos observar que, em outras regiões, a situação é bem diferente. Embora diversos países orientais sejam extremamente industrializados, a valorização do idoso é fator fundamental nas decisões da família e da sociedade como um todo. Ocorre o reconhecimento e respeito pelos conhecimentos adquiridos pelos mais velhos ao longo da vida, uma sabedoria que pode e deve ser passada adiante. Em outras palavras, laços de cultura e valores familiares passados ao longo de gerações foram o suficiente para barrar as concepções cruéis do mundo ocidental, ou ao menos, diminuir seu impacto.
            Para a construção de uma vida digna e aumento da própria autoestima dos idosos, é necessário que haja uma urgente integração social. Projetos voltados para esse público e esforços por parte da família em integrá-los ao cotidiano do lar são fundamentais. A ociosidade tradicionalmente associada à idade avançada deve ser esquecida, uma vez que eles são capazes de desempenhar papel vital em nossa sociedade: o de ajudar a transformá-la, e não apenas observar sua transformação.

Comentários gerais: seu texto é muito bom. Possui fluência, tese bem delineada e diversidade argumentativa. Atente para os pontos abaixo para que ele fique ainda melhor.
Sobre o título: tente usar mais criatividade ao criar um nome para o seu texto. Um título criativo pode fazer com que sua redação se diferencie em meio a tantas outras.  Uma boa estratégia é criar o título a partir de alguma ideia apresentada no desfecho da conclusão. Dessa forma, o fim da redação estará conectado ao seu início, o que garante circularidade à dissertação. Por exemplo, se a sua redação fosse minha, eu colocaria o título “Nada de meros observadores” ou alguma coisa nesse sentido.
A proposta de solução: desenvolva mais as propostas para solução do problema. No Enem, esse aspecto é muito importante. Não basta, de maneira generalizada, dizer que devem ser criados projetos para os idosos. Diga que tipo de projeto deve ser implantado e cite o setor social responsável por isso.
Interdisciplinaridade: na tabela de correção do Enem, a interdisciplinaridade também é avaliada. Ou seja, é importante fazer referência a diferentes áreas de conhecimento, como citar um fato histórico, um dado literário etc.
Nota: considerando os critérios de correção do Enem, sua nota seria em torno de 9. Perderia meio ponto em Proposta de solução e meio ponto em Tema/ Progressão/ Interdisciplinaridade, por ausência do último item.
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Olá!  Em junho de 2015, o blog voltará a ter publicações periódicas. Você tem dificuldade em algum tema específico e quer que eu o aborde por aqui? Se sim, envie-me um e-mail explicando-me a sua necessidade e eu preparei novos conteúdos a respeito! Aguardo seu contato pelo e-mail: lygiafs@yahoo.com.br 
Até breve!

sábado, 15 de outubro de 2011

Redação Enem 2009 - Valorização do idoso

Publico nessa postagem o texto produzido por uma pessoa que contratou o serviço de correção de redações

Nesse post, apresentarei a proposta na íntegra e a redação. No próximo, transcreverei a correção e os comentários.

Atualização da postagem: sobre a autoria da redação.

PROPOSTA DE REDAÇÃO
Com base na leitura dos seguintes textos motivadores e nos conhecimentos construídos ao longo de sua formação, redija texto dissertativo-argumentativo em norma culta escrita da língua portuguesa sobre o tema Valorização do idoso, apresentando experiência ou proposta de ação social, que respeite os direitos humanos. Selecione, organize e relacione , de forma coerente e coesa, argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
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Estatuto do idoso
Art. 3o. É obrigação da família, da comunidade, da sociedade e do Poder Público assegurar ao idoso, com absoluta prioridade, a efetivação do direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária. [...].
Atr. 4o Nenhum idoso será objeto de qualquer tipo de negligência, discriminação, violência, crueldade ou opressão, e todo atentado aos seus direitos, por ação ou imissão, será punido na forma da lei.
                                          Disponível em www.mds.gov.br/suas/arquivos/ estatuto_idoso.pdf Acesso em 07 de maio de 2009

Foto: Angeluci Figueiredo
Disponível em: <HTTP://correio24horas.globo.com>
Acesso em: 18 ago 2009


O aumento da proporção de idosos na população é um fenômeno mundial tão profundo que muitos chamam de “revolução demográfica”. No último meio século, a expectativa de vida aumentou em cerca de 20 anos. Se considerarmos os dois últimos dois séculos, ela quase dobrou. E, de acordo com algumas pesquisas, esse processo pode estar longe do fim.
Disponível em: HTTP://www.orizamartins.com/ref-ser-idoso.html. Acesso em: 07 maio de 2009

Instruções:
-Desenvolva seu texto em prosa: não redija narração, nem poema.
-O texto com até sete linhas escritas será considerado texto em branco.
-O texto deve ter, no máximo, 30 linhas.
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Redação produzida

Os idosos e a sociedade
O estatuto do idoso prevê, sem reservas, os direitos dos idosos na sociedade brasileira. Com o aumento da expectativa de vida, essa atitude se torna imprescindível para a vida digna dos mesmos. No entanto, a condição de "ser idoso" gera um preconceito que impede grande parte dessa parcela da população de participar ativamente da vida em sociedade. A conclusão é imediata: aqueles que no passado ajudaram a construir o Brasil atual, são marginalizados por ele.
            Em pleno século XXI, o mundo se encontra em sua mais notável fase capitalista, onde os conceitos de individualismo e produtividade imperam sobre quaisquer outros. Quando algo se torna improdutivo, é imediatamente considerado desnecessário e substituído. Esse conceito também se aplica à esfera social. Os idosos são descartados por supostamente não terem o mesmo vigor da juventude, e na maioria das vezes, não lhes é dada a menor oportunidade de demonstrar o contrário.
            Entretanto, podemos observar que em outras regiões, a situação é bem diferente. Embora diversos países orientais sejam extremamente industrializados, a valorização do idoso é fator fundamental nas decisões da família e da sociedade como um todo. Ocorre o reconhecimento e respeito pelos conhecimentos adquiridos pelos mais velhos ao longo da vida, uma sabedoria que pode e deve ser passada adiante. Em outras palavras, laços de cultura e valores familiares passados ao longo de gerações foram o suficiente para barrar as concepções cruéis do mundo ocidental, ou ao menos, diminuir seu impacto.
            Para a construção de uma vida digna e aumento da própria autoestima dos idosos, é necessário que haja uma urgente integração social. Projetos voltados para esse público e esforços por parte da família em integrá-los ao cotidiano do lar são fundamentais. A ociosidade tradicionalmente associada à idade avançada deve ser esquecida, uma vez que eles são capazes de desempenhar papel vital em nossa sociedade: o de ajudar a transformá-la, e não apenas observar sua transformação.
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Olá!  Em junho de 2015, o blog voltará a ter publicações periódicas. Você tem dificuldade em algum tema específico e quer que eu o aborde por aqui? Se sim, envie-me um e-mail explicando-me a sua necessidade e eu preparei novos conteúdos a respeito! Aguardo seu contato pelo e-mail: lygiafs@yahoo.com.br 
Até breve!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Redação: Informações off line - Comentários gerais e finais

Olá! Antes de sua leitura, um pequeno aviso. Em junho de 2015, o blog voltará a ter publicações periódicas. Você tem dificuldade em algum tema específico e quer que eu o aborde por aqui? Se sim, envie-me um e-mail explicando-me a sua necessidade e eu preparei novos conteúdos a respeito! Aguardo seu contato pelo e-mail: lygiafs@yahoo.com.br 
Até breve!

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O texto Informações “off line” é muito bom, mas é preciso atentar para uma questão: o que foi apresentado na frase-guia foi comprovado na conclusão, e não exatamente no desenvolvimento.
O texto ficou ótimo, super coerente, mas algumas análises são necessárias para que os leitores desse blog não cometam erros na hora da produção textual.
Explicando melhor:
Em D1, o autor falou sobre o lado negativo a respeito das informações disponibilizadas na internet. Em D2, o lado positivo foi exposto. Meu receio diante dessa estratégia é que tenha havido a impressão de que sempre podemos, em um parágrafo, dizer um lado de determinada questão e, no seguinte, outro.
Em algumas situações, se isso for feito, o texto pode ficar sem posicionamento, como se o autor estivesse “em cima do muro”, o que não pode acontecer de jeito nenhum.
Por exemplo, se tivermos diante do tema “O sorriso do brasileiro: acomodação ou superação?” e, em um parágrafo, dissermos que o brasileiro é acomodado e, em outro, que ele é forte e supera dificuldades, estaremos nos contradizendo.
O recurso dialético, de apresentar uma ideia, depois outra – oposta- para se chegar a uma conclusão, é válido, mas só deve ser utilizado por quem tem total domínio do gênero dissertativo-argumentativo. Farei um post sobre isso em algum momento.

O que quero fazer agora é modificar o texto do autor de forma que o desenvolvimento aborde exatamente a ideia apresentada na frase-guia.
Vamos a ela:
Frase-guia:
Entretanto, antes de buscar informações, é imprescindível criar filtros  capazes de discernir as realmente úteis e construtivas das especulativas e falaciosas.


Na frase-guia, a ideia apresentada é que o usuário da internet deve ser competente para separar informações verdadeiras e falsas.

Até a popularização da internet, o conhecimento era buscado predominantemente nos livros. Por meio deles, podia-se imediatamente checar se o autor (e por extensão tudo aquilo veiculado por ele) era digno de confiança ou não. Contudo, vive-se hoje a era digital, na qual as informações encontraram na “Web” um meio rápido e prático de se difundirem. Nesse contexto, qualquer usuário torna-se um escritor em potencial, livre para publicar o que bem entender, “como se opiniões não precisassem se basear no rigor científico antes de serem emitidas”, conforme elucida Stephen Kanitz, colunista da revista “Veja”. Nesse contexto, as pessoas que buscam informações por meio da internet não podem ter postura passiva. É preciso investigar a validade da fonte de informação para que opiniões inverídicas não sejam consideradas verdadeiras.

Vale ressaltar, entretanto, que somente demonizar a internet seria uma postura injusta e unilateral. Por meio dela, muitos dados valiosos chegam ao alcance das mais variadas populações, como, por exemplo, com a criação da Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU da qual o Brasil fara parte. O acervo digital contará com mapas, fotografias, manuscritos e textos em sete idiomas. Em tempo, a internet – devido a sua agilidade – é o único meio de comunicação atual capaz de administrar a dinamicidade com que as notícias surgem ao redor do mundo. De acordo com Zygmunt Bauman, em seu ensaio a respeito da modernidade líquida: “...a transmissão das notícias é a celebração constante e diariamente repetida da enorme velocidade da mudança...”. O senso crítico é, pois, indispensável para que se chegue aos bons conteúdos a que se pode ter acesso hoje, na chamada Era da Informação.
Dessa maneira, tudo o que foi apresentado na frase-guia é comprovado no desenvolvimento: as informações presentes na internet + a postura dos usuários diante de tais conteúdos.
É claro que os parágrafos ficaram gigantescos, o que não é o ideal em um texto de no máximo 30 linhas, mas, didaticamente, as informações extras foram importantes.
Espero que tenha ficado clara a explicação!
Até mais!

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Análise de redação: Informações “off line”

Seguem agora os comentários sobre a redação publicada aqui.


Tema: A internet como fonte de informação
PROJETO DE TEXTO
Introdução
Primeira etapa: falar sobre a necessidade de aquisição de conhecimento e dizer que a internet é um importante veículo para acesso a informações.
Segunda etapa: Dizer que, apesar da relevância da internet como propagadora de informações, é importante que as pessoas saibam utilizá-la de maneira inteligente, sabendo identificar quais informações são confiáveis.
Enquanto a primeira etapa é utilizada para iniciar o assunto de maneira ampla, a segunda apresenta de maneira clara qual será a abordagem do autor sobre o tema.
O advento e a evolução dos meios de comunicação, aliados a sua ampla distribuição, transformaram o mundo em uma aldeia global, na qual os fluxos de informação espalham-se livremente. Manter-se atualizado e deter conhecimento dos mais variados tipos é, e sempre foi, extremamente útil para a formação de uma identidade e para o desenvolvimento de um senso crítico. Entretanto, antes de buscar informações, é imprescindível criar filtros  capazes de discernir as realmente úteis e construtivas das especulativas e falaciosas.

Desenvolvimento
D1: Primeiro, falar sobre a aquisição de conhecimento antes da internet e depois dela. Finalizar o parágrafo, dizendo que hoje qualquer pessoa dissemina o conteúdo que quiser, muitas vezes, sem nenhum embasamento.
Atenção: Ao final do parágrafo, o autor cita diretamente a fala de Stephen Kanitz, apresentada em um dos textos de apoio. O problema é que essa citação pode não ser bem vista por algumas bancas, uma vez que houve cópia direta do texto motivador. É claro que a citação não foi inserida por falta de competência argumentativa do candidato, pois é possível perceber que as ideias do parágrafo são consistentes e que a citação serviu apenas para fortalecer o que já havia sido dito. Ainda assim, minha sugestão é que isso não seja feito. Minha orientação, inclusive, é que não sejam utilizadas as aspas para apresentar um testemunho de autoridade. É possível citar as ideias de alguém com as nossas próprias palavras.
Até a popularização da internet, o conhecimento era buscado predominantemente nos livros. Por meio deles, podia-se imediatamente checar se o autor (e por extensão tudo aquilo veiculado por ele) era digno de confiança ou não. Contudo, vive-se hoje a era digital, na qual as informações encontraram na “Web” um meio rápido e prático de se difundirem. Nesse contexto, qualquer usuário torna-se um escritor em potencial, livre para publicar o que bem entender, “como se opiniões não precisassem se basear no rigor científico antes de serem emitidas”, conforme elucida Stephen Kanitz, colunista da revista “Veja”.

D2: Falar que, apesar de tanta informação não confiável disseminada na rede, é preciso também destacar o outro lado da questão: a internet proporciona acesso a conteúdos importantíssimos e de muita qualidade.
Atenção: nesse parágrafo, quando o autor cita a Biblioteca Digital Mundial, está também utilizando informações do texto de apoio, mas, agora, não de forma direta. O autor utilizou a informação de maneira inteligente, apenas para exemplificar a sua opinião. Não houve transcrição do texto de apoio, apenas apresentação de uma informação.
Ao final do parágrafo, no entanto, percebe-se o mesmo que aconteceu no anterior: transcrição direta do texto de apoio – depoimento de Zygmunt Bauman. Reforço: isso não deve ser feito em provas de vestibular. Nesse caso, o autor conseguiu uma boa nota, porém, trata-se de uma estratégia muito arriscada.
Vale ressaltar, entretanto, que somente demonizar a internet seria uma postura injusta e unilateral. Por meio dela, muitos dados valiosos chegam ao alcance das mais variadas populações, como, por exemplo, com a criação da Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU da qual o Brasil fara parte. O acervo digital contará com mapas, fotografias, manuscritos e textos em sete idiomas. Em tempo, a internet – devido a sua agilidade – é o único meio de comunicação atual capaz de administrar a dinamicidade com que as notícias surgem ao redor do mundo. De acordo com Zygmunt Bauman, em seu ensaio a respeito da modernidade líquida: “...a transmissão das notícias é a celebração constante e diariamente repetida da enorme velocidade da mudança...”.

Conclusão: reafirmar a ideia da frase-guia, apresentada na segunda etapa da introdução: a internet pode ser boa ou ruim, dependendo do uso que se faz dela. O importante é que as pessoas saibam separar o que presta e o que não presta na rede.
Como já afirmei aqui, o final do texto foi interessante e deu um toque criativo à redação.
Discutir a validade do mundo virtual como meio de propagação de conhecimento não se mostra o mais adequado para o momento, dado que a tendência da internet é cada vez angariar mais usuários. Sensato seria garantir instrução suficiente às crianças e aos jovens para que eles, por conta própria, pudessem desenvolver mecanismos de seleção de tudo aquilo que recebem do meio externo. Dessa forma, informações falsas ou caluniosas seriam automaticamente arrastadas para a lixeira.


Gostei bastante desse texto, mas ainda quero fazer mais algumas considerações para completar a análise. Mas isso, na próxima postagem.
Até lá!
Bons estudos!

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Redação: Informações “off line”. Abro parênteses para falar de regência

Lendo a redação da última postagem, achei que seria importante, antes de fazer os comentários sobre o conteúdo do texto, utilizá-lo como motivador para falar sobre regência. Isso porque, lendo milhares algumas redações por semana, vejo muitos desvios nesse sentido.
O autor da redação usou a regência de acordo com as normas gramaticais e suas construções merecem comentários.

Seguem alguns exemplos para reflexão:
            1)    “O advento e a evolução dos meios de comunicação [...] transformaram o mundo em uma aldeia global, na qual os fluxos de informação espalham-se livremente”.
USO ADEQUADO! Explicação: Os fluxos de informação se espalham NA aldeia global, EM uma aldeia global. Dessa forma, para eu retomar “aldeia global”, preciso inserir a preposição “EM” (EM + A = NA).
     
      2)“[...] vive-se hoje a era digital, na qual as informações encontraram na “Web” um meio rápido e prático de se difundirem”.
USO ADEQUADO! Explicação: NA era digital, as informações encontraram na Web um meio de se difundirem.

     3)“[...]Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU da qual o Brasil fará parte”.
USO ADEQUADO! Explicação: O Brasil fará parte DA iniciativa da ONU. Então, retomando o vocábulo “iniciativa”, é preciso usar a preposição DE (DE + A= DA).

     4)    “a internet é o único meio de comunicação atual capaz de administrar a dinamicidade com que as notícias surgem[...]”.
USO ADEQUADO! Explicação: As notícias surgem COM dinamicidade.

Muita gente se desequilibra na hora de fazer construções como essas. Vejo constantemente os seguintes usos:
“O advento e a evolução dos meios de comunicação [...] transformaram o mundo em uma aldeia global, a qual os fluxos de informação espalham-se livremente”. USO INADEQUADO!
“[...]Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU que o Brasil fará parte”. USO INADEQUADO!
Ou ainda:
“a internet é o único meio de comunicação atual capaz de administrar a dinamicidade que as notícias surgem[...]”.USO INADEQUADO!

É isso! Para a construção de um bom texto, é preciso cuidar da regência. Do contrário, pode haver penalização em coesão e modalidade escrita.
Na próxima postagem, análise completa da redação Informações “off line”.
Até!!

domingo, 9 de outubro de 2011

Redação exemplar - Tema: A internet como fonte de informação

A redação transcrita a seguir é sobre o tema “A internet como fonte de informação” e foi escrita para o vestibular Fuvest 2008.
Já citei a conclusão desse texto no post “Enfim, acabei a redação” - e publico-o, agora, na íntegra, para avaliação aprofundada de todos os parágrafos.
Nesse artigo, a redação; no próximo, os comentários.
Informações “off line”
O advento e a evolução dos meios de comunicação, aliados a sua ampla distribuição, transformaram o mundo em uma aldeia global, na qual os fluxos de informação espalham-se livremente. Manter-se atualizado e deter conhecimento dos mais variados tipos é, e sempre foi, extremamente útil para a formação de uma identidade e para o desenvolvimento de um senso crítico. Entretanto, antes de buscar informações, é imprescindível criar filtros  capazes de discernir as realmente úteis e construtivas das especulativas e falaciosas.
Até a popularização da internet, o conhecimento era buscado predominantemente nos livros. Por meio deles, podia-se imediatamente checar se o autor ( e por extensão tudo aquilo veiculado por ele) era digno de confiança ou não. Contudo, vive-se hoje a era digital, na qual as informações encontraram na “Web” um meio rápido e prático de se difundirem. Nesse contexto, qualquer usuário torna-se um escritor em potencial, livre para publicar o que bem entender, “como se opiniões não precisassem se basear no rigor científico antes de serem emitidas”, conforme elucida Stephen Kanitz, colunista da revista “Veja”.
Vale ressaltar, entretanto, que somente demonizar a internet seria uma postura injusta e unilateral. Por meio dela, muitos dados valiosos chegam ao alcance das mais variadas populações, como, por exemplo, com a criação da Biblioteca Digital Mundial, uma iniciativa da ONU da qual o Brasil fara parte. O acervo digital contará com mapas, fotografias, manuscritos e textos em sete idiomas. Em tempo, a internet – devido a sua agilidade – é o único meio de comunicação atual capaz de administrar a dinamicidade com que as notícias surgem ao redor do mundo. De acordo com Zygmunt Bauman, em seu ensaio a respeito da modernidade líquida: “...a transmissão das notícias é a celebração constante e diariamente repetida da enorme velocidade da mudança...”.
Discutir a validade do mundo virtual como meio de propagação de conhecimento não se mostra o mais adequado para o momento, dado que a tendência da internet é cada vez angariar mais usuários. Sensato seria garantir instrução suficiente às crianças e aos jovens para que eles, por conta própria, pudessem desenvolver mecanismos de seleção de tudo aquilo que recebem do meio externo. Dessa forma, informações falsas ou caluniosas seriam automaticamente arrastadas para a lixeira.
                 Fonte: Fuvest – http://www.fuvest.br/vest2008/bestred/bestred.stm