segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Análise da redação “Todos os gestos da incredulidade”

Conforme anunciado na postagem anterior, segue a análise completa da redação “Todos os gestos da incredulidade”.
Focarei nos parágrafos de desenvolvimento, uma vez que comentários sobre introdução e conclusão já foram feitos em “Ousadia na dissertação”.
Vamos lá!!
É no primeiro parágrafo que identificamos qual será a abordagem do autor sobre o tema proposto, e o que se pôde perceber na introdução do texto é que o autor se posicionou contra a padronização de pensamentos e atitudes, afirmando que essa postura é ruim para o ser humano, já que limita a sua criatividade.
O projeto de texto do autor é o seguinte: apresentação de 2 causas para a tal padronização e uma explicação de por que se trata de um problema.
No primeiro parágrafo do desenvolvimento, o autor expõe o que ele acredita ser a causa da preferência das pessoas por seguir caminhos pré-estabelecidos. Para isso, ele mostra que as tentativas de inovação de pessoas e de sociedades não foram bem sucedidas, o que acabou servindo como uma espécie de exemplo para as gerações seguintes de como é difícil inovar, sair do padrão. Seriam essas referências “mal sucedidas” as causas de os indivíduos não ousarem.
As tais “referências mal sucedidas” citadas pelo autor foram:
1.Marx e Lênin lutaram por uma ideologia, mas não atingiram seus objetivos.
2.Adotar estilos de vida diferentes também não deu certo. O autor é sarcástico quando afirma que seguir o modo de vida americano acabou gerando problemas também, uma vez nos apresentou à Aspirina e ao Prozac, remédios para dor e depressão.
3. Em “A ONU não atendeu o desejo de nenhuma Miss”, imagino que haja algum tipo de ironia para mostrar algo que também não tenha dado certo, porém... eu não captei a mensagem. Se alguém souber o que quis dizer a frase, escreva nos comentários, ok?!
No segundo parágrafo, o autor mostra que os estudiosos que propuseram formas diferentes de pensar foram tidos como loucos. Essa seria mais uma causa de as pessoas não tentarem inovar, já que sair do habitual pode gerar rótulos negativos. Ao final do parágrafo, o autor critica essa postura passiva do ser humano, pois é por meio da criatividade que as sociedades evoluem. Esse raciocínio é exemplificado no parágrafo seguinte, quando o autor cita Rousseau, Kant, Nietsche.
No terceiro parágrafo do desenvolvimento, o autor diz por que seguir padrões é ruim. E a explicação dada é que o homem que apenas segue a correnteza abdica de seu senso crítico, de seu poder de transformação, ou seja, perde um pouco de sua essência.

Comentários finais: imagino que algumas pessoas, ao lerem esse texto, podem sentir que ele é muito sofisticado ou até mesmo rebuscado em alguns momentos...
Parênteses:
(É claro que o autor tem um bom domínio do registro padrão da língua portuguesa e aparenta bom conhecimento cultural. Usei a palavra aparenta porque sei de casos em que candidatos estudam um pouquinho, o básico, da história de um pensador ou de um político só para citar na redação e tentar impressionar o avaliador. Ou seja, não dominam o personagem citado, decoram apenas alguma coisa para mostrar conhecimento. Imagino que não seja o caso desse autor, mas vale a ressalva).
... porém, queria esclarecer que ninguém precisa citar um monte de filósofos para se dar bem na redação. A lição que fica desse texto é a importância da interdisciplinaridade. Você pode não conhecer os maiores pensadores da História, mas, com certeza, já leu algum livro famoso ou tem algum conhecimento histórico que pode ser utilizado. Disso as bancas gostam!
É isso. Análise feita!
Quem tiver alguma dúvida sobre o que foi exposto, fique à vontade para apresentá-la.