quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Análise de introdução

Transcrevo aqui a introdução de uma redação feita por uma ex-aluna. Ela não pôde permanecer no curso, mas continuou estudando em casa e me enviou o texto para correção.
Obrigada por autorizar a postagem, querida!! J


Tema: Por que o brasileiro não consegue realizar na prática as ideias que lhe parecem adequadas ao desenvolvimento do país?

                     Boas ideias não são suficientes
Em uma visão panorâmica de nossos últimos candidatos a cargos públicos, como deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos, etc., tem-se a impressão que a preocupação de muitos está mais direcionada a apresentação de suas ideias, do que se realmente irão ou não cumpri-las. Logo se vê que o ditado popular “A propaganda é a alma do negócio” é levado bem a sério por tais brasileiros. Talvez o que lhes falte é uma análise profunda dos problemas enfrentados pelo país, para que depois sejam apresentadas propostas e ideias que realmente venham trazer soluções na prática.

Comentários
- Introdução com bom conteúdo, mas com alguns problemas relativos a normas e à organização frasal – correção abaixo.
- Para iniciar o texto, a autora fala que os candidatos a cargos públicos parecem que não estão, de fato, interessados em solucionar problemas, parecem que querem apenar dizer que têm propostas, independente de elas poderem ou não ser efetivadas.
- Atente para o bom recurso de relativização da linguagem. Em vez de dizer que os candidatos não estão interessados em cumprir promessas, ela diz que “tem-se a impressão” de que eles não estão interessados. Trata-se de um ótimo recurso para que a linguagem fique mais ponderada, menos radical.
- Em “Em uma visão panorâmica de nossos últimos candidatos a cargos públicos, como deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos, etc”, a parte sublinhada poderia ter sido suprimida, pois a especificação dos cargos públicos nada acrescenta à mensagem.
- Sobre o mesmo trecho, reparem o uso da vírgula antes de “etc”. Essa questão é polêmica, pois há divergência entre autores a esse respeito. Alguns condenam o uso da vírgula, outros defendem a sua utilização. Dessa forma, fique à vontade para inseri-la ou não. Já em relação ao uso do “e” antes do “etc”, não há divergência: ele não deve ser utilizado. “Etc” é abreviatura de “et caetera”, que significa “e outras coisas”. Então, se a expressão já apresenta o “e” não há necessidade de repeti-lo. Minha orientação é sempre de cautela em relação ao uso do “etc” na redação, pois tem gente que se empolga e o utiliza o tempo todo e, na maioria das vezes, desnecessariamente. Ahh... também não use reticências após o “etc”.
- No último período da introdução, temos a frase-guia, aquela que apresenta o posicionamento da autora sobre o tema. Quando ela diz
Talvez o que lhes falte é uma análise profunda dos problemas enfrentados pelo país, para que depois sejam apresentadas propostas e ideias que realmente venham trazer soluções na prática.”, tem-se a resposta à pergunta-tema:
 o brasileiro não consegue realizar na prática boas ideias para o desenvolvimento do país porque os interessados em representar a nação não analisam os problemas com profundidade, querem apenas apresentar promessas para ganharem a eleição.
No desenvolvimento, a autora deverá comprovar essa tese.
- Em termos de conteúdo, a introdução produzida está boa. Há uma contextualização do assunto e, depois, uma frase-guia que responde à pergunta da proposta e norteará o desenvolvimento da redação. Veja agora as correções feitas em relação à forma do texto:

Em uma visão panorâmica de nossos últimos candidatos a cargos públicos, como deputados federais e estaduais, senadores, prefeitos, etc., tem-se a impressão de que a preocupação de muitos está mais direcionada na à apresentação de suas ideias, do que a sua real efetivação. se realmente irão ou não cumpri-las. Logo se vê que o ditado popular “A propaganda é a alma do negócio” é levado bem a sério por tais brasileiros. Talvez o que lhes falte é uma análise profunda dos problemas enfrentados pelo país, para que depois sejam apresentadas propostas e ideias que realmente venham trazer soluções na prática.

Mais comentários:
- Regência: “[...] tem-se a impressão DE que”. Quem tem impressão tem impressão DE alguma coisa.
- Acento grave: “[...]a preocupação de muitos está mais direcionada À apresentação de suas ideias [...]”. O acento grave é necessário porque houve a junção AA ( A- preposição exigida por “direcionado” + A- artigo exigido pela palavra feminina e no singular “apresentação”).  O que está direcionado está direcionado A / A apresentação.
- Sugeri a substituição de “[...]estão mais direcionados à apresentação de suas ideias do que se realmente irão ou não cumpri-las” por “[...] estão mais direcionados à apresentação de suas ideias do que a sua real efetivação”. Isso porque não cumprimos ideias, cumprimos promessas. As ideias nós colocamos em prática, as efetivamos.
É isso!