quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Análise do texto “Diversidade não é anulação” – A contra argumentação

O texto publicado na última postagem foi produzido com o objetivo de mostrar, na prática, estratégias de contra argumentação. Em todos os parágrafos, parte-se da ideia alheia para que seja sustentada uma opinião contrária.
Já comentei por aqui a importância desse recurso, porém não é recomendável que ele seja utilizado em demasia. Na redação apresentada, essa estratégia foi bastante explorada por uma questão didática, já que o objetivo dessa postagem é mostrar justamente como se pratica a contra argumentação.
Para a produção do texto, foram utilizados como base depoimentos de pessoas que falavam sobre os efeitos negativos da globalização em nossa cultura. Alguns citaram que ela está sendo prejudicial para a língua portuguesa, porque estamos usando muitos termos estrangeiros. Outros falaram que esse contato estreito com outras culturas tem sido péssimo para a música brasileira, pois os jovens hoje estão esquecendo suas raízes culturais e valorizando somente as músicas americanas...Outros falaram que, com essa maior proximidade entre nações, os brasileiros estavam se tornando menos patriotas e querendo viver em outros locais etc etc etc.
 Acho que todos os aspectos apresentados nesses depoimentos, a meu ver, fazem sentido por um lado e não fazem por outro. Mas... como o objetivo do texto foi contra argumentar, todas essas ideias foram refutadas e o oposto delas, comprovado.

 Tema: A influência da globalização na cultura brasileira
Reparem que o texto foi todo construído por meio de negativas.

Projeto de texto
Introdução: negar que a globalização é ruim para a cultura brasileira, citando 3 temas centrais: língua, música, emigração.
Há certo radicalismo quando se fala em globalização e cultura nacional, pois existe a crença de que, por meio desse processo, a identidade de um povo pode ser deteriorada. No Brasil, citam-se as transformações linguísticas, o alto número de emigrantes e a influência musical, principalmente a norte-americana, como consequências nocivas da globalização. Trata-se de uma visão equivocada, e a superficialidade desse pensamento pode ser comprovada quando se analisa a questão de maneira mais complexa.

D1: A língua portuguesa – a utilização de expressões estrangeiras não é negativa, uma vez que se trata de um processo natural de assimilação. A língua é viva e não temos controle sobre ela.
A língua falada em um país é uma das principais manifestações da identidade de um povo. E muitos consideram que o contato com produtos importados, com tecnologias estrangeiras tem sido danoso porque o brasileiro estaria substituindo vocábulos próprios pelos estrangeiros. A influência linguística existe, mas não deve ser considerada boa nem ruim, apenas uma consequência natural, pois a língua se transforma ao longo do tempo. A palavra deletar, por exemplo, que foi incorporada ao vocabulário português, não deve ser entendida como uma anulação identitária, mas como uma assimilação natural.

D2: Emigração – A causa dessa situação são os problemas sociais e não a globalização. Brasileiros saem do país porque buscam as condições dignas que, muitas vezes, não conseguem ter no próprio país. Portanto, a relação entre patriotismo, emigração e globalização é falaciosa.
Da mesma forma, tendo em vista a situação precária de muitos brasileiros devido ao quadro social do país, não se pode dizer que as pessoas estão procurando viver em outros locais por conta da globalização. Não há relação de causa e efeito quanto a isso, pois se há, no Brasil, o desejo de emigrar é porque as pessoas estão procurando melhores condições de vida, o que, infelizmente, o Brasil não pode garantir a muitos.

D3: Música – Apreciar músicas não nacionais não significa perda de identidade, mas sim diversidade.
Deve-se, portanto, entender as possibilidades oferecidas pela globalização como naturais. Na música, por exemplo, não dá para dizer que a influência do jazz foi ruim para a Bossa Nova. Frank Sinatra e Tom Jobim, há pouco mais de cinquenta anos, fizeram uma parceria e não houve anulação cultural para nenhuma das partes. Hoje, no Brasil, temos samba e música eletrônica, temos um Rock in Rio com Axé e Stevie Wonder. Isso é a prova de que a globalização gerou diversidade e não substituição.

Conclusão: Reafirmação da ideia central do texto + retorno ao título.
As trocas culturais que estão ocorrendo no mundo moderno influenciam sim a identidade cultural brasileira, mas de forma alguma essa influência deve ser vista como prejudicial. O brasileiro não abriu mão de seu país, de sua música, de sua língua porque tem contato estreito com outras culturas. Pelo menos, em se tratando de identidade cultural, diversidade não significou anulação.