quinta-feira, 12 de abril de 2012

Redação pronta - Descanso do cavalo branco

Olá!

Quando falei com meus alunos do pré-vestibular sobre linguagem artística na redação, citei o texto que transcrevo abaixo. Na ocasião, lemos apenas a introdução e a conclusão. Agora, apresento aqui o texto na íntegra.

No momento, não analisarei a produção. Deixo-a apenas para análise de vocês. Em próxima postagem, farei os devidos comentários.

A redação foi feita para a proposta da UFBA e o tema foi o seguinte:

       Por que o homem contemporâneo tem dificuldade de viver um grande amor?

É isso!

Divirtam-se e comentem!

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           Descanso do cavalo branco

                 Quando o tema é o grande amor, pensa-se logo em algo inalcançável, em uma relação desejada por todos os homens, mas que mais se enquadra em um conto de fadas com personagens medievais do que na realidade do homem contemporâneo. Com isso, podemos dizer que a dificuldade em atingir essa idealização está intimamente ligada à distância comportamental entre essas duas eras.
              O primeiro dos fatores que distanciam o homem contemporâneo do medieval é a sua ansiedade. Se, para muitos, a rotina do príncipe montado no cavalo branco é algo bucólico, sereno, hoje, o homem não pára, está em constante correria para acompanhar todas as mudanças do seu mundo, E é nesse contexto que nasce nele a sensação da redução do tempo de que dispõe para se dedicar ao seu descanso, ao seu prazer. Justamente por causa dessa sensação, o homem contemporâneo vem se tornando cada vez mais hedonista, o que contrasta com a paciência de um cavaleiro que aguarda o tempo que for e suporta qualquer provação até alcançar seu final feliz ao lado da donzela, nem que seja só por alguns instantes.
              Além disso, contrapõem-se os atuais individualismo e racionalismo com os ideais românticos de afeto e abnegação. Como esperar de um homem que não consegue sair do centro de seu próprio mundo uma demonstração da importância do outro em sua vida? Como esperar que esse homem de atitudes calculadas abra mão de estabilidade para levar uma vida cheia de surpresas, com a única certeza de não estar sozinho ? O príncipe medieval sempre termina seus contos sem exatidão do futuro e depois de declarar todo seu amor.
             Contudo, a mais contrastante barreira entre essas duas "realidades" é a crise de valores vivida pelo homem que banalizou a liberdade. Pode-se até conceber que na Era Medieval faltasse liberdade, mas em circunstância alguma cogitava-se colocar em risco os valores da fidelidade, do respeito e da admiração entre um casal. A vulgarização da sexualidade desmistificou o desejo entre os amantes e, nesse cenário libertino, perdeu-se o encanto por uma novidade que já não tem mais sua surpresa.
              Dessa forma, fica fácil entender a utopia que se tornou o grande amor. Não se podem esperar moldes divinos em uma sociedade que buscou a mudança para a chamada "modernidade". E caso se queira facilitar a experiência de viver tão grandioso sentimento, armadura e cavalo branco aguardam adormecidos.

          Imagem retirada do site http://poetagerson.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.html